Como investir em renda fixa no atual cenário de taxas mais baixas

Com a queda da taxa Selic para 6,75% ao ano, o CDI, que é base para remuneração para a maioria dos investimentos de renda fixa, passou a render apenas 0,54% ao mês (6,64% ao ano). A velocidade da queda dos juros surpreendeu muitos investidores e vários ainda não conseguiram adequar seus portfólios à nova realidade de rendimentos. A seguir indico como o investidor pode planejar sua carteira de renda fixa para obter o máximo de rentabilidade dela.

No passado, o investidor não precisava fazer nenhum planejamento, pois a remuneração de aplicações com liquidez diária já era suficientemente boa. Entretanto, com o CDI no atual patamar, o aplicador só terá uma rentabilidade mais interessante se realizar um adequado planejamento de sua liquidez e fluxo de caixa.

A liquidez dos investimentos é a capacidade de transformar os recursos investidos em dinheiro. Algumas aplicações que possuem maior carência ou maior prazo de vencimento são premiadas com uma maior taxa de retorno em relação ao CDI. Portanto, um adequado planejamento da necessidade de recursos vai proporcionar uma elevação de rentabilidade do portfólio. Nesse sentido, segue estratégia baseada no prazo de seus investimentos.

Curto prazo

Os recursos de curto prazo são aqueles cuja utilização será necessária em um horizonte de até um ano. Dessa forma, o investidor deve construir um orçamento de seu fluxo de caixa e eventual necessidade de retirada de seus investimentos para cobrir déficits. Comento sobre a construção do orçamento no artigo no link.

Como esses recursos serão utilizados no curto prazo, eles não podem ser aplicados em produtos com carência ou que estejam sujeitos a perdas por oscilação de mercado. Logo, os produtos a adquirir nessa parte do portfólio são: Tesouro Selic, LCI, LCA, Fundos DI e CDBs de bancos médios.

Caso a corretora em que você pretende adquirir o título Tesouro Selic não cobre taxa de custódia ele renderá 96% do CDI, ou seja, 0,52% ao mês, devido à cobrança da taxa da CBLC. Alternativamente ao Tesouro Selic, deve escolher CDBs e fundos DI que apresentem remuneração acima de 96% do CDI e LCIs e LCAs que possuam rendimentos superiores a 77% do CDI isentos de IR.

Médio prazo

Para o médio prazo, considera-se o período de dois a quatro anos. Nesse caso, como a inflação está sob controle e tem surpreendido para baixo, os títulos prefixados se apresentam como boa alternativa. O investidor deve aplicar nesse prazo apenas se puder manter os recursos até o vencimento.

Neste caso, pode investir no Tesouro Prefixado, em CDBs prefixados de bancos médios ou em fundos de renda fixa prefixados. O título Tesouro IPCA com vencimento em três anos remunera uma rentabilidade líquida da taxa da CBLC de 8,25% ao ano. Esta rentabilidade equivale a mais de 120% do CDI atual, considerando que ele não suba nos próximos anos.

Os CDBs prefixados de bancos médios remuneram uma taxa adicional entre 110% a 120% acima do título de prazo equivalente do Tesouro Direto, ou seja, entre 9% e 11% ao ano. A remuneração de 11% ao ano, por exemplo, equivale a 0,87% ao mês. Portanto, considerando a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) até R$250 mil, eles se mostram uma excelente alternativa com ganhos superiores a 130% da taxa do CDI atual.

Longo Prazo

Os recursos que serão necessários em períodos superiores a quatro anos são de longo prazo, por exemplo, aqueles destinados a aposentadoria. Para esse período, como existe uma incerteza maior sobre a inflação, recomendam-se os títulos referenciados à inflação. Os títulos com prazo mais longo podem sofrer uma variação significativa para cima ou para baixo caso sejam vendidos antes do vencimento. Desta forma, o investimento nesse prazo deve ser cuidadosamente avaliado e realizado apenas com os recursos que podem ser mantidos até o vencimento do título.

Para este investimento, o aplicador pode se valer dos títulos Tesouro IPCA de longo prazo, debêntures incentivadas e fundos de investimento referenciados a IPCA de longo prazo. O ideal é igualar o prazo de vencimento com o momento de utilização. Para os títulos privados que não possuam garantia do FGC, como as debêntures, recomenda-se a diversificação em vários emissores diferentes. Os títulos privados como CDB e debêntures têm a vantagem de apresentar uma rentabilidade superior à dos títulos públicos.

Realizando o planejamento de seus investimentos, de forma a aproveitar a melhor rentabilidade oferecida pelos títulos de prazo mais longo, será possível compensar parte da remuneração perdida com a queda da taxa básica de juros.

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